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Palácio Tiradentes

26 MAI às 14h30 (concerto fechado para alunos da rede pública de ensino) e 17h (concerto aberto ao público) 

Endereço: Rua Primeiro de Março S/N  - Praça XV. Rio de Janeiro - RJ. 

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Orquestra Sinfônica de Barra Mansa

Orquestra Sinfônica de Barra Mansa 

A Orquestra Sinfônica de Barra Mansa foi criada em 2005, pelo Projeto Música nas Escolas, que vem transformando estudantes de Barra Mansa em músicos qualificados. Além de democratizar o ensino da música clássica e erudita, desenvolvendo a autoestima, a socialização e propiciando a inclusão de crianças e jovens do município, o Projeto também visa a oferecer oportunidades de profissionalização através da formação musical dos alunos, ampliando o horizonte cultural e promovendo a transformação social.

A Orquestra é formada pelos professores e monitores do Projeto, juntamente com os alunos avançados, os quais são professores de música nas escolas municipais de Barra Mansa e atendem desde a educação infantil – por meio de aulas de iniciação musical – até o ensino fundamental – com aulas práticas com instrumentos. Até hoje, mais 22 mil jovens já foram atendidos pelo Projeto.

A OSBM já se apresentou em importantes palcos como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a Sala Cecília Meireles, ambas na capital do Estado do Rio, Theatro Municipal de São Paulo, Theatro Santa Isabel, em Recife, Teatro Arthur Rubinstein – da Hebraica, em São Paulo entre outras programações especiais.

Pablo Castellar

palestrante

Diretor Artístico, Redator e Coordenador Geral do Projeto Pablo Castellar é diretor presidente da Artemundi Produções Culturais. De julho de 2011 a março de 2019 ocupou o cargo de diretor artístico da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, onde lançou 8 temporadas com mais de 400 programas. Elogiados pela crítica, muitos figuraram na lista dos melhores concertos do ano no jornal O Globo. Escreveu e apresentou durante este período o programa semanal Rádio OSB, na MEC FM. Após 10 anos como diretor artístico e coordenador de produção na G.L. Produções, fundou em 2009 a Artemundi Produções Culturais. Neste mesmo ano assumiu como professor nos cursos de Pós-Graduação em Produção Cultural e MBA em Gestão Cultural, na Universidade Cândido Mendes. Também já realizou cursos, seminários e palestras em outros estados e no exterior. Trabalhou com importantes instituições, tais como os teatros municipais de São Paulo e Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, Academias Brasileiras de Letras e de Música, FUNARTE, Instituto Moreira Salles, Centro Cultural Banco do Brasil e Caixa Cultural. Construiu parcerias institucionais com diversas embaixadas tais como Áustria, Estados Unidos, Itália, França, Portugal, Espanha, México e Azerbaijão. Participou da criação de projetos de celebrações nacionais e internacionais, como os 450 anos do Rio de Janeiro, os 200 anos da Revolução de Maio, na Argentina, a Copa da Cultura, na Alemanha, e os 110 anos da Academia Brasileira de Letras. Produziu diversas óperas, séries de concertos, shows, CDs, DVDs, filmes de longa-metragem, festivais de teatro e música, circuitos musicais nacionais e eventos de difusão da cultura brasileira no exterior. 

Noemia Barradas

Arquiteta e urbanista

Arquiteta e Urbanista formada pela I. M. Bennet (1995), mestre em arquitetura pelo PROARQ-UFRJ (2006) e doutoranda em arquitetura e urbanismo pelo PPGAU-UFF, participou de cursos no Brasil e exterior no campo da Preservação do Patrimônio e Projeto. 

 

Desde 1996 leciona em instituições públicas e privadas em cursos de graduação e pós-graduação. Possui larga experiência no campo da Preservação do Patrimônio Cultural, atuando em investigações, ciência da conservação, projetos e obras de conservação e restauro de bens integrados, arquitetura e conjuntos urbanos. Ao longo dos últimos anos tem desenvolvido trabalhos junto aos órgãos de preservação do patrimônio (UNESCO, IPHAN, INEPAC), possui escritório e é colaboradora em escritórios no Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal. 

Foi Diretora Administrativa do IAB-RJ (2004-2005), e é Conselheira do IAB-RJ e sua representante no Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro. Atualmente é Conselheira Titular e Vice-presidente do CAU-RJ (Gestão 2021-2023).

Fernando Ebert 

Designer e coordenador das visitas guiadas do Palácio Tiradentes

Designer Gráfico de formação, Fernando Ebert fez toda sua especialização em docência e licenciatura, coordena a visita ao Palácio Tiradentes há cerca de sete anos, onde procurou desenvolver uma aula de história em ambiente informal.

Simone Algebaile

Arquiteta

Mestra em memória e acervos Públicos e Privados: Gerenciamento, Preservação, Acesso e Usos pela Fundação Casa de Rui Barbosa. Especialização em restauro de Bens Imóveis- SENAI/RJ.(2013). Graduação em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário de Brasília UNICEUB (2007), Atuou na área de conservação e restauro como Diretora de Conservação e Restauro da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro sendo responsável pelas equipes de catalogação, conservação e restauro dos bens móveis e integrados tombados pelos órgãos de Patrimônio Histórico sob responsabilidade da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro, notadamente o Palácio Laranjeiras, Palácio Guanabara, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e a Ilha de Brocoió. Atuou no acompanhamento e fiscalização dos serviços de restauração, desenvolveu uma metodologia de limpeza e conservação arquitetônica dos Palácios Oficiais do Estado do Rio de Janeiro. Atuou como coordenadora pedagógica dos cursos de Restauro oferecidos na Oficina Escola do Palácio das Laranjeiras durante o ano de 2018.Trabalhou como fiscal de obra na revitalização e requalificação das instalações de infraestrutura do Pavilhão Mourisco – FIOCRUZ, sendo responsável pela compatibilização dos projetos com o edifício histórico. Atualmente trabalha na ALERJ como coordenadora da Oficina Escola de Restauro do Palácio Tiradentes.

Sobre o Palácio

O local onde está hoje o Palácio Tiradentes é um sítio histórico que guarda – desde os tempos do Brasil Colônia – grande parte da memória política do Brasil. O primeiro edifício ali construído data de 1640 e serviu para abrigar os primeiros três vereadores eleitos. O voto era indireto e o durava apenas um ano. Cabia a eles cuidar da cidade e das finanças públicas. Todo o dinheiro arrecadado ficava guardado em um cofre chamado “burra”, que só podia ser aberto por três chaves: cada uma ficava com um vereador.

No andar abaixo do cofre público ficava a cadeia da cidade conhecida como a “Cadeia Velha”. Foi lá onde o alferes Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes, ficou preso durante cinco dias antes de ser enforcado em 21 de abril de 1792.

Quando a Coroa portuguesa aqui chegou, fugindo da invasão napoleônica, em 1808, e se instalou no Paço Imperial ao lado da “cadeia velha”, o Parlamento, que já contava com um número maior de representantes, foi deslocado para outro prédio deixando o paço receber todos os empregados da Corte Real. De volta a um dos andares da velha cadeia, a Câmara Imperial começara a protagonizar fatos memoráveis, como exemplo a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

Nota de Programa

Um edifício grande e imponente. Ícone da arquitetura eclética carioca da primeira metade do século XX, que combina elementos renascentistas, barrocos e clássicos em uma síntese harmoniosa de diferentes estilos e épocas.  Um prédio que se destaca na paisagem urbana do Rio de Janeiro com sua fachada imponente e que possui um interior repleto de belezas decorativas, tais como vitrais, pinturas, esculturas e relevos criados por renomados artistas brasileiros. Este é o Palácio Tiradentes, um templo da história do Brasil e do Estado Rio de Janeiro que será reverberado neste concerto realizado pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, sob a regência de Daniel Guedes, trazendo um repertório especialmente pensado para dialogar com a história, a arquitetura e arte decorativa deste patrimônio cultural brasileiro. As músicas serão intercaladas pelos comentários de três palestrantes: as arquitetas Noemia Barradas e Simone Algebaile, e o coordenador das visitas deste palácio, o designer Fernando Ebert.

Começamos este programa com uma homenagem à arquitetura desta construção, que incorpora influências renascentistas e barrocas. Para isso, traremos a abertura da ópera Orfeo, de Claudio Monteverdi, uma música de transição entre estes dois períodos, que apresenta diferentes temas musicais e variações ornamentais com a grandiosidade, a sofisticação e os elementos clássicos que remetem aos ideais renascentistas da antiguidade clássica que vemos também neste edifício. Duas obras, uma musical e outra arquitetônica, que se encontram na beleza, na harmonia e na simetria. 

Seguimos com a obra Abertura em Ré, do Padre José Maurício Nunes Garcia. Descendente de escravos, o compositor nasceu pobre, mas recebeu uma educação sólida tanto em música como em letras e humanidades, se tornando o compositor brasileiro mais importante do fim do período colonial e do início do Império do Brasil.  Suas obras representam bem este período de influências europeias dos estilos barroco e clássico. Foi mestre de capela, organista e professor de música.  A peça que ouviremos nos leva ao tempo em que, neste local, existia a histórica Casa de Câmara e Cadeia, um prédio projetado para servir aos trabalhos do legislativo e abrigar prisioneiros políticos e outros detentos. Nomes como Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, passou seus últimos dias de vida encarcerado neste espaço. Esta obra musical foi escrita em um período de mudanças significativas na história do Brasil, quando o país deixou de ser uma colônia e se tornou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves logo após a corte portuguesa se transferir em 1808 para o Rio, fugindo das invasões napoleônicas na Península Ibérica. Enquanto a família real se estabeleceu no Paço Imperial, seus empregados foram instalados neste edifício. 

Um dos alunos do Padre José Maurício foi o príncipe Pedro de Alcântara. Ele é o autor da próxima obra deste programa: a Abertura para a Independência do Brasil. 

Nosso imperador compositor também foi aluno de Marcos Portugal, um dos mais famosos compositores portugueses do período, e de Sigismund von Neukomm, aluno predileto de Joseph Haydn e professor de Beethoven, que desembarcou no Rio em 1816, na trilha da Missão Artística Francesa.

A obra que ouviremos de Dom Pedro I nos transporta ao período da independência do Brasil, quando a Casa de Câmara e Cadeia adquiriu uma importância ainda maior no cenário político do país, recebendo a primeira Assembleia Constituinte de 1823 e se tornando, em 1826, a sede do Parlamento Brasileiro. Nas décadas seguintes, já no segundo reinado, importantes decisões legislativas foram tomadas neste local, afetando o curso da história do Brasil, entre elas a Lei do Ventre Livre, em 1871, e a Lei Áurea, em 1888. É de 1889 a obra que ouviremos a seguir, que ecoa bem este período de mudanças sociais e econômicas no Brasil. Da opera O Escravo, ouviremos a Alvorada, de Antônio Carlos Gomes, o mais importante compositor brasileiro do fim do século XIX, que conquistou fama internacional por suas óperas, que misturavam elementos da música clássica europeia com as tradições musicais brasileiras. Alvorada é uma abertura escrita para o terceiro ato desta ópera. É uma obra vibrante e cheia de energia, conhecida por sua beleza e dramaticidade. A ópera trata da história de uma jovem escrava que se apaixona por um príncipe árabe e  aborda temas como o amor proibido, o choque cultural e as lutas pela liberdade. Alvorada é um momento importante na ópera, pois ela anuncia a chegada do príncipe árabe, que representa a esperança e a alforria para a jovem escrava.

Dom Pedro II, que foi o grande apoiador e mecenas de Carlos Gomes, receberia, neste mesmo ano de 1889, o golpe republicano que iria destituir o Império brasileiro e implementar a República no Brasil. Neste novo cenário político, este símbolo do passado colonial do Brasil, a Cadeia Velha, não condizia mais com a modernidade que a cidade do Rio de Janeiro buscava apresentar ao mundo. Isso ficou ainda mais evidente após o início da reurbanização da cidade pelo prefeito Francisco Pereira Passos a partir de 1902. Por essa razão, em 25 de dezembro de 1921, foi aprovado um projeto dos arquitetos Archimedes Memória e Francisco Couchet para demolir o prédio e construir no seu lugar a nova sede do Legislativo.

 

Para representar esses novos tempos, traremos a obra de um compositor que deixou um dos legados mais sólidos e expressivos do modernismo nacional, o maestro Oscar Lorenzo Fernández. Nacionalista convicto, em 1922, mesmo ano em que este palácio começou a ser construído, conquistou três primeiros lugares no concurso nacional de composição promovido pela Sociedade de Cultura Musical, participou ativamente como assistente da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, e se casou com Irene Soto Lorenzo Fernândez. A suíte sinfônica em três partes Reisado do Pastoreio, que contém a peça Batuque, que apresentaremos a seguir, foi composta poucos anos após a inauguração deste edifício e foi responsável por divulgar o nome de Fernández no panorama internacional. É uma das peças de compositor brasileiro mais executadas no exterior, tendo sido interpretada por regentes de grande renome como Arturo Toscanini, com a NBC de Nova Iorque, e Leonard Bernstein, com a Filarmônica de Nova Iorque. A vitalidade rítmica e a orquestração exuberante de Batuque apresenta elementos da cultura afro-brasileira, como a percussão e danças de origem africana.

Seguimos com a Ária (Cantiga) da Bachianas Brasileiras nº 4, de Heitor Villa-Lobos, obra e compositor que refletem a história e a arquitetura do Palácio Tiradentes. De um lado, as Bachianas mesclam a música barroca europeia com a tradição popular brasileira, enquanto o Palácio incorpora em suas talhas em madeira o café do Brasil. Já o compositor, atua no projeto nacionalista do governo Vargas promovendo a música brasileira como diretor do Departamento de Música do Ministério da Educação, enquanto o palácio se transforma no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) para controlar e difundir a imagem do Estado Novo e seus ideais nacionalistas. 

Após a era Vargas, o Palácio Tiradentes acolhe, em 1946, uma Assembleia Constituinte, iniciando uma nova fase política no Brasil. Com a transferência da capital para Brasília por Kubitscheck, o Palácio abrigou a Assembleia Legislativa da Guanabara, mantendo-se como marco político na cidade.

Em 1960, com a transferência da capital do país para Brasília, o Palácio se tornou a sede da Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (ALEG). Para lembrarmos desse momento traremos A Chegada dos Candangos da obra Brasília: Sinfonia da Alvorada,  de Tom Jobim.  Com uma mistura inovadora de orquestração e ritmos brasileiros, Jobim cria uma atmosfera vibrante e emocionante que evoca o entusiasmo e a esperança de um país em plena transformação. A Chegada dos Candangos é uma homenagem aos verdadeiros heróis da construção de Brasília e simboliza a força e a união do povo brasileiro.

Com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, o Palácio Tiradentes, passou a abrigar, até 2020, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), atualmente, abrigando apenas as sessões solenes e culturais. Por isso, para representar a diversidade cultural deste estado, encerramos este concerto com o quarto movimento Escola de Samba da obra Sinfonieta Seconda - Carnevale, de Ernani Aguiar, uma celebração à riqueza e à pluralidade do Carnaval fluminense, essa expressão cultural singular que abrange tantos aspectos de nossa sociedade. Música, dança, arte e religiosidade, em um constante encontro de ideias e perspectivas sobre passado, presente e futuro. Identidade cultural que  se apresenta através das mais variadas tradições e manifestações artísticas que coexistem e se complementam, de forma única e vibrante, neste nosso estado do Rio de Janeiro.

Programa

Maestro: Daniel Guedes

Orquestra Sinfônica de Barra Mansa

 

CLAUDIO MONTEVERDI

Orfeo, SV 318: Abertura

Composição: 1607 

Duração: 2 minutos

 

JOSÉ MAURICIO NUNÉS-GARCIA

Abertura em Ré

Composição: ca 1808

Duração: 5 minutos

 

PEDRO DE ALCANTARA (Dom Pedro I)  

Abertura para a Independência do Brasil 

Composição:1820

Duuração: 8 minutos

ANTÔNIO CARLOS GOMES 

O Escravo | Alvorada

Composição: 1889

Gomes, Antônio Carlos

Composição:1889

Duração:  8 minutos

LORENZO FERNANDEZ

Reisado do Pastoreio: “Batuque” -

Dança de Negros

Composição: 1930

Duração: 5 minutos

 

HEITOR VILLA-LOBOS

Bachianas Brasileiras nº 4

III. Ária (Cantiga)

Composição: 1942

Duração:  6 minutos

 

ANTONIO CARLOS JOBIM

Brasília: Sinfonia da Alvorada

II. A Chegada dos Candangos

Composição: 1960

Duração:  4 minutos

 

ERNANI AGUIAR

Sinfonieta Seconda - Carnevale

IV. Escola de Samba

Composição: 2003

Duração:  5 minutos

 

Duração total: 43 Minutos

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