



Pablo Castellar
diretor artístico
Sejam bem-vindos à 4ª edição do FIMA — Festival Interativo de Música e Arquitetura, que celebra o Brasil Colonial. Convidamos você a viver a experiência imersiva que une música e arquitetura em alguns dos mais significativos patrimônios históricos do país que testemunham os processos de formação social, religiosa, artística e cultural do Rio Grande do Sul.
A etapa gaúcha do festival acontece em maio de 2026, em Porto Alegre e Viamão, no Rio Grande do Sul, e reúne renomados intérpretes brasileiros, palestrantes e pesquisadores em diálogos musicais inéditos com a arquitetura, a arte decorativa e a história da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Viamão — segunda paróquia mais antiga da antiga Capitania de São Pedro — e da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre, dois templos dedicados à mesma padroeira que guardam, em comum, uma devoção mariana enraizada na formação do Sul do Brasil.
Nesta edição, o repertório articula música colonial brasileira e barroca europeia, em obras de compositores como Vivaldi, Bach, Gluck, Mozart, Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia. Os comentários intercalados ao repertório, conduzidos pela historiadora da arte Sofia Inda, aproximam o público das pedras, das talhas, dos retábulos e das memórias que dão sentido a esses espaços, revelando o templo como obra que se compõe simultaneamente em pedra, em som e em devoção.
Com suas riquezas históricas e a sobriedade luso-brasileira de suas construções, as igrejas históricas do período colonial brasileiro serão celebradas em toda a sua expressividade arquitetônica. Esses espaços, de relevância histórica indiscutível, são testemunhas vivas da formação cultural do Brasil e dos múltiplos povos que aqui chegaram, resistiram e construíram suas identidades.
No FIMA, teremos a oportunidade de vivenciar essas construções de maneira envolvente e multissensorial, por meio de experiências sinestésicas fascinantes.
Padrões rítmicos que se repetem em rocálias, volutas e elementos fitomorfos, ou no contraponto de uma fuga.
Simetrias encontradas nos retábulos, nas pilastras, nos arcos-cruzeiros e nos coros, ou na construção arquitetônica de uma frase musical.
Harmonias na convivência de materiais de diferentes naturezas — pedra, madeira entalhada, talha dourada, escaiolas, marmoratos e ferros trabalhados — ou de vozes que se entrelaçam em motetos e duetos.
Texturas das paredes caiadas, das douraduras dos altares, dos panejamentos das imagens sacras, ou da sonoridade dos instrumentos de época em diálogo com a voz humana.
Dinâmica, expressão e dramaticidade percebidas nas esculturas, pinturas e ornamentos religiosos, e também na intensidade e na maneira como os sons são produzidos para evocar devoção, contemplação e memória.
A partir de agora, seja presencialmente ou através das nossas mídias sociais, você está convidado a ver e ouvir alguns dos mais expressivos templos do período colonial brasileiro. Venha construir, através da música e da arquitetura, uma relação afetiva com esses lugares de memória, onde a fé, a arte e a história se condensam em pedra e som.
Agradecemos a visão e o comprometimento da CEEE Equatorial, bem como a colaboração dos nossos músicos, palestrantes, parceiros, paróquias e espectadores que tornam possível a realização desta importante celebração da nossa identidade cultural.

