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Real Gabinete Português de leitura

Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito. Foi a primeira associação desta comunidade na então capital do Império. 

Logo nos primeiros anos após a sua fundação as diretorias passaram a adquirir milhares de obras, algumas raras, dos séculos XVI e XVII - e entre elas podemos mencionar um exemplar da edição “prínceps” de Os Lusíadas, que pertenceu à Companhia de Jesus de Setúbal; as Ordenações de D. Manuel, de Jacob Cromberger, editadas em 1521, e os Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram, publicadas em 1539. O certo é que a ampliação da biblioteca obrigou à mudança da sede por várias vezes: da casa da rua de S. Pedro, nº 83, foi para a rua da Quitanda nº 55 e desta, em 1850, para a rua dos Beneditinos nº 2. Para se ter uma idéia do crescimento do acervo bibliográfico basta mencionar que em 1872 a biblioteca já possuía 20.471 obras (ou 44.917 volumes).

É por essa altura que os dirigentes começam a pensar em construir uma sede de maiores dimensões e condizente com a importância da instituição. Para esse fim, é adquirido um terreno na antiga rua da Lampadosa. E as comemorações do tricentenário da morte de Camões (1880) vão ser o grande pretexto para motivar a “colônia” portuguesa e levar adiante o projeto.

O projeto escolhido para o edifício da atual sede, foi o do arquiteto português Rafael da Silva e Castro, com seu traço em estilo neomanuelino, evocando a epopéia dos Descobrimentos portugueses.  O edifício, cuja fachada é inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa, foi trabalhada por Germano José Salle em pedra de Lioz em Lisboa e trazida de navio para o Rio. As quatro estátuas que a adornam retratam o Infante D. Henrique, Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama, e os medalhões, os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett. O estilo neomanuelino também está presente nas portadas, estantes de madeira para os livros e monumentos comemorativos. O teto do Salão de Leitura tem uma belíssima clarabóia e um lustre monumental. O interior desse salão contém uma estrutura de ferro, o primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil, além de inúmeras obras de arte espalhadas por todo o prédio, desde bustos de escritores e personagens históricas, até uma coleção de pinturas de Eduardo Malta, Oswaldo Teixeira, José Malhoa e Carlos Reis.

Na nova sede do Real Gabinete, foram realizadas as cinco primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis.

Nas últimas décadas, e com o objetivo de dar mais dinamismo às suas atividades, o Real Gabinete criou um Centro de Estudos que abriga um Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras, promove sistematicamente cursos de extensão universitária sobre Literatura, Língua Portuguesa, História, Antropologia e Artes, colóquios e conferências, a cargo de professores universitários, e edita a revista Convergência Lusíada (semestral), que era distribuída a centenas de instituições culturais e universidades de todo o mundo, e recentemente passou ao formato digital.  A programação dos cursos é divulgada no site da instituição e nas universidades.

Atualmente a biblioteca, que conta com um quadro de 2.400 associados, tem um acervo de cerca de 400.000 volumes e está totalmente informatizada, podendo o seu catálogo ser acessado pela internet.

Está aberta ao público de segunda a sexta-feira, de 10 às 16 horas.  A entrada é franca e as consultas são grátis.

www.realgabinete.com.br

Rua Luís de Camões, nº 30 – Centro | Rio de Janeiro

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