Artboard 7_2x-8.png

Parque Lage

Erguido no final da década de 1920, o palacete que atualmente abriga a Escola de Artes Visuais do Parque Lage ocupa um terreno que, assim como o parque, sediou no período colonial um engenho e em meados do século XIX recebe o projeto paisagístico do inglês John Tyndale, o qual cria uma ambientação romântica, cuja atmosfera pitoresca se intensificaria na medida em que as antigas edificações remanescentes do engenho transformam-se em ruínas.

Ao longo de sua história, o terreno teve sucessivos proprietários (família Salema, família Fagundes Varela, família Rodrigo de Freitas, família Sá Rabello, família Lage) até ser finalmente adquirido pelo industrial Henrique Lage que ali decide erguer em homenagem a sua esposa, a cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni, a mansão que domina a vista do terreno. 

A autoria do projeto, tradicionalmente atribuída ao arquiteto italiano Mario Vodret, tem sido recentemente disputada por especialistas, que tendem a creditá-la ao também italiano Riccardo Buffa. Identificado com o ecletismo, estilo predominante em boa parte da produção arquitetônica entre a metade final do século XIX e as primeiras décadas do século XX (mesmo com o modernismo já em curso), o prédio tem como motivo e principal fonte de referência a Villa renascentista, com sua distribuição simétrica e proporcionada das partes, a austeridade dos volumes e o emprego de elementos da arquitetura clássica como arcos romanos e colunas com capitéis que ora reproduzem as ordens greco-romanas, ora criam variações sobre elas. 

Dentre os elementos decorativos secundários, aparecem referências ao orientalismo também em voga no ecletismo, como ilustrado, por exemplo, nas esfinges a decorar a escadaria na cobertura e nas esculturas de seres fantásticos presentes na balaustrada do balcão. A piscina, dominando o pátio central, espelhando o céu e a paisagem circundante da Mata Atlântica, remete ao modelo da casa romana com seu impluvium, uma espécie de tanque cuja função original era armazenar a água da chuva, mas, que, no caso da mansão dos Lage, destina-se a área de lazer. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC).  

Guilherme Bueno

Rua Jardim Botânico, nº 414 – Jardim Botânico | Rio de Janeiro

Screen Shot 2021-11-24 at 9.59.16 AM.png

Patrocínio

Screen Shot 2021-11-24 at 9.59.21 AM.png

Realização

Screen Shot 2021-11-24 at 9.59.49 AM.png
Screen Shot 2021-11-24 at 9.59.26 AM.png

L